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domingo, 7 de fevereiro de 2016

O show de Johnny Hooker no carnaval de Recife 2016, ontem

 por Moisés Monteiro de Melo Neto




o sujeito é quase uma entidade

Bombshell com recheio de mel e veneno, vício cruel e inextinguível, cantando também tendo como locus imaginário a capital de Pernambuco, que mais parece um país à parte, no imaginário dos seus poetas: no Recife de Hooker casam-se mais uma vez na arte, Eros e Tanatos. Em vez da Manguetown, criada nos anos 90, agora temos o lado obscuro da força; ara de de deus velho e essência do mal; olhar psicopata carente faz parte parte da performance dele. Ontem finalmente assisti a um show, ao vivo (no Pátio de São Pedro, sábado de Zé Pereira)  de John Donovan (neto de irlandês), vulgo Johnny Hooker (hooker siginifica , também, prostituto/a), que ano que vem completa 30 anos , dia 6 de agosto, passou a hora de entrar para o clube dos 27, mas traz resíduos fortíssimos da Joplin, Amy, Morrison etc.




 Influências pululam na performance dele: Glam rock, tropicalismo, e muito mais. Impossível não pensar em Amy Winehouse, Bowie, Madonna e ele cita Caetano. Mas Fred Mercury, Reginaldo Rossi (Em 2015, Johnny participou do Encontro com Fátima Bernardes e apresentou uma versão de "Garçom", do repertório de Reginaldo Rossi), Michael Jackson e tantos outros são notáveis nos trejeitos do homem que ele representa no palco, na cena, carregada de  figurinos bem peculiares, maquiagem pesada. Sua estreia como ator teria sido no curta-metragem Não me Deixe em Casa, de Daniel Aragão.
No show de ontem , ele entrou pontualmente às 20h e, apesar da aparente confusão, revelou técnica quase impecável na apresentação de um repertório já cheio de hits que agitou os corpos da massa presente ali, no coração do Recife. Os músicos integram-se à voz de Johnny de maneira quase homogênea e ele os apresnta como irmãos (inseparáveis). O figurino dele é aquele que a gente já se acostumou: malhas e, megtais, ontem não vi pluma (só no Alan Montarroyos, aque vi no Galo da Madrugada pela manhã, e que acho que estava fazendo referência a Johnny, seria uma nova cena surgindo?). Johnny se jogava no chão, subia num praticável, mistura de macho e feminino, como no clipe da música "Alma Sebosa", que tem direção de Giovana Machline e aparições da nossa caríssima Chandelly Braz, e ainda:  Luis Miranda,  Rodrigo Pandolfo e de Jesuíta Barbosa (Tatuagem) e da cantora Zélia Duncan, o show trraz o mesmo clima, se é que vocês entendem o que quero dizer.
 Ele, apesar de só ter despontado no céu da Mídia há 2 anos, já é detentor, pelo menos,  do Prêmio da Música Brasileira (Melhor Cantor na categoria Canção Popular). Pop até a raiz dos cabelos que espero que permaneçam na cabeça dele. Ele começou com sua trans mais hit, do seu primeiro disco solo "Eu Vou Fazer Uma Macumba pra Te Amarrar, Maldito!", que, segundo as informações que tenho, já alcançou primeiro lugar na plataforma de streaming Deezer (!) e foi também número 1 no chart MPB (!) do Itunes Brasil. Já levou um prêmio Multishow e participou de um show tributo a Maria Bethania. Com muito mais de 5 milhões de visualizações dos vídeos de suas músicas no Youtube. 4 milhões no seu canal oficial, o pernambucano está no auge. É bom esse deslocamento em relação ao sudeste e esta cena atual brasileira (música). Johnny parece que tem certa paranoia em relação aos Secos de Molhados, mas o furor é parecido com Sangue latino, derramado por Ney Matogrosso, sem contar o teor dramático das inerpretações de ambos. Ah, essa paixão de Johnny .  Deeper and Deeper...
Gosto.
A voz dele estava cortante e a energia parecia pronta para horaz e horas, mas durou pouco, o show, com direito à reentrada enquanto o audiência ovacionava o, digamos assim, sacerdote em estranho e quase óbvio ritual feérico. 



ECCE HOMO 


          Mas quem é esse homem? Pegunto isso menos no sentido de Pilatos (eis o homem) e mais no de Nietzsche. Poeta da cena, fino trato, filho de gente de cinema (Liz Donovan), vivente do bairro de Candeias, onde morei por alguns anos. Sua música "Volta" (trilha do filme de Hilton Lacerda, Tatuagem, é , pelo menos icônica. Já "Amor Marginal" (trilha da novela Babilônia, da Globo) é delicioso pastiche de Lupicínio com um monte ded outras coisas que adoro, e soa bem original. Enquanto  "Alma Sebosa" estava na trilha sonora do folhetim eletrônico Geração Brasil, gravado em parte no Recife e onde nosso Johnny defendeu o personagem Thales Salgado, causou ontem, aliás a turma que superlotou o Pátio de São Pedro ontem cantou emocionada TODAS as músicas, junto com a diva, o divo, aquele icônico senhor,
Fiquei contente com o senhor Hooker, sim. Ele me lembra um cantor para quem compus uma ópera e outras músicas, dirigi show e fiz um documentário: Gê Domingues, amigo da mãe dele.
Ontem, quando ele cantou "Amor Marginal", o negócio atingiu quase a temperatura máxima, num dia tórrido para o Recife que vinha do Galo da Madrugada, homenagem aos cinquentenário de Chico Science.
Ele jogou de modo exemplar com as faixas do disco "Eu Vou Fazer Uma Macumba Pra Te Amarrar, Maldito!" , que foi lançado no dia 22 de fevereiro de 2015, tendo uma boa repercussão nas plataformas musicais. O disco foi 1o lugar geral no Deezer e 14o lugar geral no Itunes Nos dias posteriores a exibição da música "Amor Marginal" na novela "Babilônia", o álbum chegou a figurar no topo da parada MPB do Itunes e "Amor Marginal" chegou a 11º  lugar geral.
A fofa Fafá de Belém regravou a música "Volta", composta por Johnny, em seu álbum de 2015. Alguns fãs dele sentiram-se enciumados...
Detergente bom para alma sebosa ou perfume para alma quieta? Johnny mostrou a que veio.




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