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quarta-feira, 16 de abril de 2014

Introdução à História do Teatro

sábado, 14 de setembro de 2013


Parte I: Introdução às história do teatro

 Sobre a   História do Teatro



                                  
por Moisés Neto

Teatro é encenação, espetáculo, encontro rápido entre atores e platéia e sobram fotos, roupas quem sabe alguns objetos e... um texto.

Um espetáculo teatral é um ritual onde atores, diretor, produtor, cenógrafos, figurinistas e técnicos esperam aplausos ou mudança social.

O início deu-se em Atenas, Grécia VI a.C quando um homem chamado TÉSPIS ousou imitar os deuses e outros homens. Algo similar já fora feito na Índia, no Egito e em outros lugares milênios antes. Mas desta vez, vestindo uma túnica, usando uma máscara e sobre uma carroça, este ator apitou: “Eu sou Dioniso”. Era o nascimento do teatro. No século seguinte, a Grécia presenciaria o aperfeiçoamento desta arte. No ano 400 A.C, havia concursos para escolher os melhores autores teatrais (comédia, tragédia), turnês patrocinadas pelo governo e teatros com capacidade para milhares de espectadores. O povo queria distração.

Em vez da carroça, veio o palco fixo e escritores como Esquilo, Sófocles e Eurípedes que deram início a esta ilusão mágica chamada Teatro.

E tudo começou como uma homenagem ao deus do vinho e da paixão selvagem: DIONISO.

Se nos rituais a Dioniso (chamados Ditirambo) os gregos embriagavam-se e brincavam, agora permaneciam sóbrios na platéia para assistir às peças, em silêncio e assim purificar suas almas das paixões sufocantes. Pois o teatro, ao falar das emoções alucinantes ou doentias, ao inspirar piedade ou terror, nos liberta de tudo isso.

O teatro sempre fala aos sentimentos dos homens.

Nas tragédias gregas, vemos o herói em luta contra o seu destino e os deuses aparecem para recompensar a coragem e punir a rebeldia. Aí os autores se posicionam diante dos valores sociais.

Havia regras para se escrever peças teatrais na Grécia.

Se as tragédias estudavam o sublime, as comédias baixavam-se ao ridículo para denunciar a incompetência dos governantes, alertar contra os maus costumes ou denunciar aqueles que queriam corromper as instituições.

O teatro imitava a vida: uma trama expunha acontecimentos, havia um clímax e uma solução para o problema inicial. Os gregos sistematizaram essa história de herói (protagonista) e vilão (antagonista).

E tudo deveria acontecer no limite do possível, do verossímil (Eurípedes perdeu um concurso por colocar a sua Medeia fugindo no carro do sol no final da peça: imperdoável deus ex machina).

A coisa mais importante no teatro é a ação! E antigamente a música também auxiliava os espetáculos. O que os espectadores assistiam era a linguagem encenada e o texto escrito era literatura, por isso podemos ler estas obras escritas há 2.500 anos, mas o texto teatral não é para se ler e só “vive” no palco. No livro ele é um fantasma, mas foi assim que foram preservados.

O cenário, figurino, a luz, os gestos, a voz e tudo que faz o público vibrar, dão ao texto plenitude física e espiritual. O ato emociona o público, mas, como profissional, ele precisa estudar muito, ter técnica.

Quando os romanos entraram em contato com os gregos, ficaram encantados com o teatro deles e levaram para Roma esta arte: Plauto e Terêncio, nos anos 200 e 100 A.C, fizeram muito sucesso, mas as comédias eram as preferidas dos romanos: os disfarces, travestimentos, truques, obscenidades, cores e intrigas. Mesmo na decadência de Roma havia público para encher os teatros. Mas no século V D.C, a igreja proibiu as peças.

Vem a idade média e os espetáculos mais apimentados são confinados aos feudos (grades propriedades de ricos), aos castelos e se afastam do povão.

Nos castelos surgem poetas, cantores, músicos, dançarinos, dramaturgos, atores, palhaços, acrobatas, isso tudo muitas vezes recebia um nome só: MENESTREL. Durou até o século IX, quando os artistas foram procurar os pobres novamente e caíram na estrada, sendo até chamados de vagabundos!

A igreja os usou nas festas religiosas empeças chamadas “moralidades” onde personagens chamados “gula” e “luxúria”, por exemplo, surgiram fantasiados de demônios terríveis. Principalmente lá pelo ano 1000 quando se anunciava o fim do mundo.

Essas peças religiosas fizeram muito sucesso na Espanha nos século XII e XIII, eram os autos, que pregavam a salvação da alma. Encenavam-se inclusive dramas como “A PAIXÃO DE CRISTO”. Eram representados dentro ou no pátio das igrejas e depois em praça pública, o que atraía o povo mais pobre. Aí as peças eram montadas em cima de carroças, havia cenários e máquina para encenar os “milagres” e “aparições” dos santos e diabos.

Havia muito maniqueísmo. Mas veio a Renascença (os 1500) e os atores dependeram menos dos ricos e tiveram que buscar sustento de outro modo. Em Florença, Londres, Madri e Paris surgem as companhias regulares de teatro. Em Portugal e Espanha, alguns autores como Gil Vicente e Calderon de la Barca ainda insistiam com temas religiosos, no Brasil, José de Anchieta (1534-1597) escreveu peças mostrando as conseqüências da heresia e da maldade.

Já na Itália surge a commedia dell’arte, uma forma de teatro popular que rompe com os clássicos e apresenta personagens engraçados como o arlequim, que consolam mocinhas apaixonadas como a colombina, na base de improviso cômico.

Na Inglaterra, o teatro estava no auge e a rainha Elizabeth I dava a maior força a Shakespeare que escreveu tragédias, comédias e peças históricas. Havia vários teatros em Londres e todo dia quase tinha espetáculo. Só que mulher não podia trabalhar como atriz e na platéia tinha mais rico do que pobre.

Na França dos 1600 surge um grande autor teatral: Molière (1622-1673) que, com suas comédias, criticou a sociedade ao descrever impostores, falsos devotos e maus cristãos. Mostrou também como os pobres podiam ser vulgares.

Já em 1700, os franceses espalham a moda intelectual e discutem filosofia no teatro, afastando novamente o povo da platéia; nos 1800 surgem várias tendências na Europa: Principalmente a briga entre naturalistas e simbolistas. Era a época do Realismo social também e até na América do Norte surgem grandes dramaturgos na primeira metade do século XX: Eugene O´Neil, Tennessee Williams e outros.

Emerge na Europa a figura do Encenador, do diretor de teatro: na Alemanha, Bertold Brecht; da Rússia, vem Stanislavski.

Com a energia elétrica, o som e a luz ganham novas dimensões. O existencialismo discute as relações sociais do homem e prega a revolta. Já o teatro do absurdo diz que a vida não faz sentido.

O século XX vai chegando ao fim e o homem se depara com a solidão capitalista.
Resta a Broadway e similares, o teatro musical comercial. A peça “Hair” nos anos 60 ou “O Fantasma Da Ópera” e “Cats”.

No Brasil o teatro surgiu nos 1800, em forma das comédias de Martins Pena. Na primeira fase do modernismo, só Oswald de Andrade escreveu peças relevantes.

Na década de 1950 e 60, surgem muitos grupos teatrais. Nomes como o pernambucano Nelson Rodrigues ou ainda Millor Fernandes, Plínio Marcos, Oduvaldo Viana, Guarnieri e encenadores como Ziembiski, Antunes Filho e Augusto Boal. No Recife surgem o TAP e diretores /dramaturgos como Hermilo Borba Filho, Luiz Marinho, Ariano Suassuna (paraibano radicado no Recife), Isaac Gondim e Valdemar de Oliveira.


MONTAGEM DE A PEDRA DO REINO, TRAZIDA A RECIFE PELA ILUSIONISTAS:
http://www.moisesneto.com.br/pedradoreino.html
A Veneza Brasileira no final dos anos 70 vê surgir grupos como o TUBA, com o espetáculo “Guarani com coca-cola” e o talentoso João Falcão, com suas comédias, chega a lotar teatros e a fazer turnês pelo Brasil. Destacamos também a escrita e direção vertiginosas do dramaturgo Henrique Amaral. Nos anos 90, vem o besteirol da Cinderela, seguindo e deturpando um filão aberto por Mauro Rasi e Miguel Falabela.

O teatro recifense sobrevive em busca de um perfil. Há diretores como José Francisco Filho, Samuel Santos,  Moreira, Antonio Cadengue e Carlos Bartolomeu que são “clássicos". Quanto aos grupos destacamos o Magilluth, o Coletivo Angu, Fiandeiros, dentre outros, como os veteranos da Seraphim.


ILUSIONISTAS CORPORAÇÃO ARTÍSTICA, 2003:Musical A ILHA DO TESOURO,  de Moisés Neto e Ricardo Valença, direção Carlos Bartolomeu, produção Simone Figueiredo, figurinos e cenário: Marcondes Lima e Herique Celibi


Há que se destacar os nomes de hoje Adriano Marcena, Felipe Botelho, este da minha geração e com quem já compartilhei algumas discussões sobre nossos textos,  Augusta Ferraz, e João Denys. Há também um festival nacional por aqui.

Ensaio da peça A NOITE DOS ASSASSINOS,
LEVADA À CENA EM RECIFE, ANOS 80

Mas a chama que os gregos acenderam permanece como um farol e todos nós estamos seguindo viagem.

ASSISTA AO DOCUMENTÁRIO PRODUZIDO PELA ILUSIONISTAS, SOBRE OS 80 ANOS DE ANTUNES FILHO:
http://www.youtube.com/watch?v=LVxTpsv_nCs

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