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sexta-feira, 17 de novembro de 2017

UM MINUTO PARA DIZER QUE TE AMO, peça no Recife é comentada por Clara Camrotti


Todas as poéticas são validas, todas as formas de fazer artes podem existir e coexistir, toda e qualquer forma de dizer eu te amo são necessárias.
As vezes perco tempo com preocupações de transformar a forma o jeito mais lapidado possível, para que aja domínio, perfeição. Tudo que ela precisa ser é verdadeira, o resto acompanha seu pulsar. por isso digo a cada um façam, façam, da sua maneira, do seu jeito, seja ele preciso ou borrado, apropriado ou experimental, façam arte, nunca se sabe onde ele pode vibrar. 
Provocada essa semana pela a instiga do filme Manifesto com Cate Blanchett, fiquei dias a pensar sobre os meus moveres artísticos, afinal porque passo pelo que passo, diante da escolha que fiz em me exercer no mundo primordialmente como artista, o que quero dizer com a arte que faço, qual meu manifesto? 
E nos meus pensamentos sinto o tempo ir, sensação de perda de tempo, onde to hoje, aonde to dando e investindo esse bem tão precioso que é meu tempo?
E com tudo isso rodeando uma Clara confusa e perdida fui até ela, a arte.
Ontem fui assistir ao espetáculo Um Minuto Para Dizer Que eu Te Amo. A principio era para acompanhar alguém que, para viver certos encontros hoje, necessita de ajuda, de suporte, a espontaneidade nela hoje se manifesta diferente. Tava cansada, pensei em desistir, mas via nos olhos dela a vontade do diferente de uma rotina, de um reencontro com algo que já foi tão seu. 
Então la chegamos,e onde eu pensei que podia perder tempo, minutos que poderiam ser vividos com descanso, com trabalho, com farra, com prazeres, com emoções outras, recebi um minuto injetado de tempo, tempo das memorias, dos afetos, dos trabalhos, das doações, tempo do escorrer do suor, tempo do cair da lagrima, tempo do dizer as palavras contidas, tempo de deixar o medo vim a tona, tempo do abraço, do toque, do carinho que quase não acontece mais, tempo de pensar e sentir, o que tem acontecido. 

Moisés Monteiro de Melo Neto, Douglas Duan, Edes, Navarro, Ferr, Ivanise, Célia, Rudimar Constâncio Samuel Lira; UM MINUTO PARA DIZER (teatro no Recife)





E com esse minuto reverberou uma conversar que a muito se tentava e não ocorria, eu e ela a se olhar e dizer. Ela que sente a tristeza do tempo passar e um pouco de si ir embora gradativamente, e eu que vivo na angustia do tempo que avança e não se concretiza. Uma que busca manter em si o tempo que viveu e que sempre a fez certa de si, onde tudo vivenciou, na maior plenitude de ser quem ela é, sem desculpas ou desvios. A outra que tenta encontrar quem realmente é, onde pode existir, pertencer, como ser. E nesse minuto eu e ela nos olhamos, e ela na sua dor de perda disse e eu na tristeza da minha insuficiência revelei. Eu te amo.
Não sei até quanto esse minuto se sustentará entre nós, até quando esse momento existirá, pode até ser que já se tenha ido, mas não importa, pois ele aconteceu. 
Não quero fazer nenhum tipo de analise, como profissional de teatro, não quero dizer o que gosto ou não, quero apenas agradecer o Eu te Amo que recebi. 
Gratidão profunda pela entrega desse tempo a todos que estavam e ali fizeram. Rudimar ConstâncioCarlos LiraCélia Regina RodriguesVanise Souza, Edes di Oliveira, Douglas Duan, Lucas Ferr, Moises NetoSandra PossaniPaulo HenriqueLeila FreitasSamuel Lira, Séphora Silva, Vinicius Vieira, João Guilherme, Claudio LiraElias Vilar, Manuel Carlos, Ana Julia, Luiz de Lima Navarro e todos os que se deream nessa construção.
Para quem quiser se dar tempo, assistam o espetáculo hoje, amanha e domingo no Teatro Marco Camarotti, as 19h30.

quinta-feira, 16 de novembro de 2017

NOVEMBRO em outras comFIGURAÇÕESJomard Muniz de Britto (ainda JMB)

    NOVEMBRO em outras comFIGURAÇÕESJomard Muniz de Britto (ainda JMB)
Olhando o céu poderemos ver quase        todas estrelaçõesdo cotidiano.                     Se nosso texto pode parecer algo            enigmático, é claro que não vamos esquecer os mistérios do mundo.           Nossos deuses e deusas, nossas dúvidas, tudo que nos cerca, alimenta e até mesmo  deslumbra por todas cores e dores.          DORINHAS, nossos a m o r e sssssss.               Repensemos o bem-querer, plural desejo           de nos reinventar além dos NÓS.                   Não apenas plural de subjetividades.                N Ó S cegos. Luminosos e sublimados.        Esses nós que se perpetuam entre          fábulas e familiaridades da PÓLÍTÍCÁ.....      Quase todos que não admitem conviversem o P O D E R de alguns contra TODOS?   Nós dos desamparados. Não dementes.       Olhando sempre para o céu dos poderosos       é impossível continuar sobrevivendo.                Sem os falsos pudores dos talvez                   biógrafos  financiados bem e mal pelo             E S T A D O. Das províncias brasilíricas.       Esquecendo Aristóteles e/ou Marx até         Brasília em sufoco politiqueiro...                   Sem medo de ser infeliz com tamanho      patriotismo, pactos e palavreados.           Novembro recomenda outras coragens.      Tudo pelo sal da terra e dos mares.         Múltiplas sensualidades. Densos afetos.          Aos 75 anos, Paulinho da Viola brilha           por Dedé Aureliano e Teca Calazans.       Entre natais e carnavais, novembro          enfrentando TEMERidades e globalismos.
Recife, 13 de novembro de 2017          

domingo, 5 de novembro de 2017

Moisés Monteiro de Melo Neto fará palestra sobre o romance MINHA AMANTE EM LEIPZIG, de César Leal, esta semana)

L’alta fantasia – (César Leal)
Vem mar! Com tuas ondas
com teu cristal de nuvens
algas e barbatanas
e oceânicos lumes
com o rumor incessante
de tantas negras ondas
e os medos que no abismo
causam tua enorme sombra!
Vem com a inteira corte
de monstros e sereias
e vidas incontáveis
e o peso das areais
e as almas dos navios
- que em teus abismos dormem –
e os fortes Almirantes
que eternizam os nomes.
Embora aqui te invoque
sempre temo tua força
e esse ruído cósmico
que sopra de tua boca.

César Leal e Moisés Monteiro de Melo Neto (que fará palestra sobre o romance MINHA AMANTE EM LEIPZIG, do primeiro, esta semana)

MINHA AMANTE EM LEIPZIG, capa do livro de César Leal


Assisti, ontem, no Recife, ao espetáculo Suassuna – O Auto do Reino do Sol e gostei

Ontem, (banhados por uma lua cheia na costa atlântica enebriante) fomos ao assistir “Suassuna – O Auto do Reino do Sol” com o pessoal da Barca dos Corações Partidosa vontade deles é homenagear os 90 anos do nascimento de Ariano Suassuna (1927-2014). Tudo se passa no sertão paraibano, onde ele nasceu e retratou nas suas obras. Conheço o diretor Luiz Carlos Vasconcelos e Bráulio Tavares de perto, já Chico César: conheço de ouvido. Na plateia estavam dona Zélia, gentilíssima, sempre, linda e musa do Armorial, havia também os outros parentes.  “Não sei, só sei que foi”: a peça não é biográfica mas tem trechos arianescos (a cena da Virgem Maria é um tiro (na gíria do palco).


Trama : Iracema e Lucas, que pertencem a famílias inimigas: ela é sobrinha do comerciante de minérios Major Antonio Moraes (citado em Auto da Compadecida e Romance da Pedra do Reino), Lucas é membro da família Fortunato, criadora de gado. Entre o cômico e o lírico: fogem, pedem abrigo num circo gerenciado por (“ senhora é meu relógio parado”)Sultana, que segue rumo a Taperoá, terra de Ariano, na Paraíba. O texto de Bráulio pede mais de meia hora par e tome alegoria quase caricata de retirantes, sol... seca, o apu pedra e fim do caminho.  Os palhaços parecem saídos de cartoons encantadores. Palhaços, quando conheci Vasconcelos ele  tinha um circo em João Pessoa e ele fazia um palhaço.  A gente percebe bem quando as músicas são mais de Beto Lemos e Alfredo Del Penho, com letras de Bráulio, de quando tem a pegada de Chico Cesar mais forte. A cenografia de Sérgio Marimba escorrega entre o clean e o problemático, a  luz de Renato Machado poderia oferecer mais; figurinos de Kika Lopes e Heloisa Stockler são um prazer aos olhos. A sensação final é de um bom espetáculo.

Bráulio Tavares e Moisés Monteiro de Melo Neto


Uma encenação de Luiz Carlos Vasconcelos
Texto: Bráulio Tavares
Música: Chico César, Beto Lemos e Alfredo Del Penho
Idealização e Direção de Produção: Andrea Alves
Com a Cia. Barca dos Corações Partidos: Adrén Alves, Alfredo Del Penho, Beto Lemos, Fábio Enriquez, Eduardo Rios, Renato Luciano e Ricca Barros.
Atriz convidada: Rebeca Jamir
Artistas convidados: Chris Mourão e Pedro Aune
Cenografia: Sérgio Marimba
Iluminação: Renato Machado
Figurinos: Kika Lopes e Heloisa Stockler
Design de som: Gabriel D’Angelo
Assistente de direção: Vanessa Garcia
Coordenação de Produção: Leila Maria Moreno
Produção Executiva: Rafael Lydio



domingo, 29 de outubro de 2017

Dinho Ouro Preto (Capital Inicial) e o Presidente Temer

O Capital Inicial fez show, ontem, em Nova York. Antes de cantar Que País é Esse?, do Legião Urbana, Dinho deu seu recado sobre o governo do Brasil."O poder corrompe e o Brasil é maior e melhor que seus representantes. O que o Temer fez, foi corromper o direito à democracia. Sempre antes de cantar essa música, tenho de dedicar a alguém. Dedico então a ele", falou Dinho, citando o nome do Presidente novamente.

quarta-feira, 25 de outubro de 2017

Madonna ajoelha-se no Brasil, beija Caetano Velos e diz que o ama

RISOS E SISOS Madonna, que mora em Portugal, por questões de "segurança", veio para uma festa e reverenciou o baiano. enquanto o tropicalista é acusado de pedofilia por Alexandre Frota, ator de última classe, de se casar com Paula, com quem tem dois filhos, já adultos ( quando ela tinha 13 anos);





“Me sinto honrada de apresentar o Caetano. Não conversem, não comam…”, durante o casamento da modelo brasileira Michelle Alves e o empresário Guy Oseary.  

segunda-feira, 23 de outubro de 2017

SOBRE VEREDA DA SALVAÇÃO (PEÇA DE JORGE ANDRADE)


E estas personagens, hein? Se o autor chega até o âmago ou desliza em viés sociológico imantando certo  realismo problemático a ponto de descambar quase na sugestão de um enigmático expressionismo, caberia assim ao diretor, com o seu ponto de vista, conseguir a unidade e o equilíbrio necessários para uma encenação segura ao  reproduzir o texto no palco, enfrentando o contraste com o óbvio panfletarismo (que neste caso parece kamikasi). A fronteira do incesto, RELIGIÃO E POLÍTICA FAMÍLIA, associações explosivas para detonar  rotina e acomodação. É possível mostrar o poético, a ansiedade de qualquer direção cênica de materializar todas as hipóteses que poder ser sugeridas por um  trabalho engajado nessa hora tão complicada de bancadas ruralista ganhando direito ao trabalho escravo no Brasil, em troca de votos aos corruptos que tomaram o Brasil de assalto (!)com a febre política que deveria dominar também o teatro (que está entorpecido por AUXÍLIOS GOVERNAMENTAIS, dos editais (amordaçadores ) da cultura?  o teatro Como secar texto e trabalhar a veracidade humana dessa peça?  nessa presença de gente no palco.usar Stanislavski (como actor´s studio norte-americano);  buscar “naturalidade” desconstruir visão marxista ingênua com propósitos utilitaristas da arte; analisar acirramentos de posições ideológicas da vida brasileira, agora e de então (anos 50) (como um todo)  ; traçar estratégias de autodefesa diante de cobranças extra-artísticas, hoje e sempre; procurar expressão cênica própria do CIT, intuir o processo; se a violência policial é pouco mostrada realmente no palco durante a peça: isso vai ser ampliado ou o drama tem outro foco? Isso é “ defeito”; como trabalhar aí o realismo sabendo que o palco é tudo(?) (im)pura  convenção, como “representar” o que a realidade inspirou? Incitar os intérpretes a um verismo absoluto, na criação de uma atmosfera tensa  entre palco e plateia ? ameaçar a plateia tendo em vista a situação de pré-fundamentalismo e retrocesso mental que se espalha pelo Brasil/ Mundo? Erguer-se contra as misérias do cotidiano? E esse massacre pela polícia de um grupo de trabalhadores  rurais; comemoração da Semana Santa, conduzido pelo líder messiânico (Joaquim)... (?)
Cabe Jerzy Grotovski, Peter Brook, Artaud, no meio de alegorias entrançadas e destroçadas nas mãos de um dramaturgo que via o GRITO munchiano de forma tão corrosiva? Podemos falar assim para representar Dolor?
As regiões da memória do paulista Jorge Andrade , ao enfocar rastros da nossa cultura do meio rural traz dos grotões da terra uma força descomunal e ao mesmo tempo fraca em suas restrições fanáticas, mergulha-as em estranho primitivismo que as universaliza sem cristalizá-las, mantendo-as em fricção de terror e êxtase (como na Santa Tereza de Bernini);  estudar suas profundas observações nos faz lembrar a  maior parte de suas criações, inclusive quando o foco é gente de dinheiro, em ruína  (ou não) como em  A moratória  (que aborda a ruína de uma família proprietária de cafezais no interior do estado de São Paulo, em decorrência da crise financeira e da produção cafeeira, por volta dos anos de trânsito da década de 1920 para a 1930)

(Manoel), (Artuliana), (Ana),(Geraldo), (Onofre), (Durvalina), (Conceição), (Germana), (Pedro), (Daluz): um xadrez que vai se resolvendo dramaturgicamente...