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segunda-feira, 31 de agosto de 2015

Ícone do Cine trash ianque, Wes Craven morreu ontem


A morte do diretor de cinema Wes Craven, que dirigiu A Hora do Pesadelo e Pânico , em Los Angeles(câncer no cérebro), me deixou um pouquinho triste. Apesar do caráter descartável da sua arte, assisti a alguns filmes dele na minha adolescência. Ele tinha formação em literatura inglesa, psicologia e filosofia e trabalhou como professor de Humanidades (Universidade de Clarkson, em Potsdam, Noew York), largou isso pelo cinema. 1º filme(diretor e roteirista): Aniversário Macabro ( 1972) , baseado (pasmem!) numa obra de Ingmar Bergman (The Virgin Spring). Em 1977, veio Quadrilha de Sádicos , depois Bênção Mortal (1981), O Monstro do Pântano (1982), A Hora do Pesadelo (1984) , com todas as "consequências" de Freddy Krueger( interpretado pelo famigerado Robert Englund). Tempos depois veio Pânico onde o macabro e o humor se casavam, numa sugestão de continuidade.

domingo, 30 de agosto de 2015

Sobre o CD do grupo Dônica (que tem como um dos integrantes o filho de Caetano Veloso), especialmente uma música chamada MACACO NO CAIAQUE.

"Are you kidding me? Por onde quer que eu comece...o atropelamento (não adianta anotar a placa) do contrabaixo sobre a bateria fora de compasso, ou pelo requeijão vencido com feijão requentado do milênio passado? É puro hype. Porco. Não seria nada, se fosse alguma coisa". (Paulo Smith, músico)

sexta-feira, 28 de agosto de 2015

Sim! Eu aceito! (A Broadway é mais embaixo) por Moisés Monteiro de Melo Neto

“Sim! Eu aceito! — O musical do casamento”, amplamente divulgado como “Um musical da Broadway”, não me animou muito. Os atores , especialmente Sylvia Massari, dão nos nervos com seu distanciamento profissional. O espetáculo parecia um piano daqueles que tocavam sozinhos, de tão mecânico que estava. O teatro de Santa Isabel, Recife, com casa meia boca dava à comedia musical um tom de museu, no mau sentido. Diogo Vilela é sempre Diogo Vilela. Os dois, ele e a atriz, são bons. O musical tem como base o texto de Jan de Hartog, dos anos 1950, e já teve Cacilda Becker e Jardel Filho interpretando o original. Os americanos Tom Jones (texto e letras) e Harvey Schmidt (música), inseriram as canções na batida trama( os caricatos 50 anos de convivência de um casal burguês americano). A dramaturgia é de dar dó. Os quadros, sim, podemos chamar esta peça de uma sequência de quadros cujo eixo narrativo está mais para enferrujado do que azeitado, sucedem-se de modo um tanto quanto entediante. As letras e melodias são enxertadas sem delicadeza nenhuma. O patrocínio Federal através do Bradesco é paradoxalmente louvável, numa época de vacas magras nos pastos brasileiros carcomidos pelo horror que grassa muito além das piores expectativas; a direção e “coreografia” do senhor Cláudio Figueira é antropológica, uma espécie de homenagem à boa idade convencional (ideologicamente falando). Os personagens do escritor e da dona de casa só não são mais rasos porque falta chão.
O cenário de Clívia Cohen aqui e ali parece menos chato do que a linha geral seguida pela produção.
Altos e baixos à parte, vamos aplaudir dois artistas que nos representam com carinho, dedicação e técnica.

Aventura: uma trajetória desconhecida

"Aventura: normalmente envolve uma trajetória desconhecida. Contém territórios de perigo justamente pelo desconhecido. É quando alguém se dispõe a viver ou percorrer esta trajetória. A aventura também se dá pelo ato de viver a experiência. É experimentar, experienciar. Para viver a aventura precisa-se de espírito aventureiro. É um espírito que se predispõe pelo desejo que tem em viver a tal experiência que a aventura proporciona. O aventureiro é movido pelo desejo, pelo querer. É recheada de surpresa e curiosidade. Imbuído do espírito aventureiro o indivíduo vivencia seus temores de maneira a liberar a passagem por entre os medos para alcançar seu objeto de desejo. A aventura é mais um ato de amor que um ato de coragem. Na aventura parece que se conversa com o medo, que se conversa com a coragem, se conversa com a fragilidade, se conversa com a força, e que se abre espaço para a permissão de vivenciar a experiência. 

aventure-se!


Aventura sugere um movimento sinuoso e a coragem um movimento vertical e frontal. É uma palavra leve, tem vento, tem corrente de ar, respira. Por isso inspira possibilidade. Uma palavra próxima ao espírito do jogo, ao espírito brincante. Na aventura aceita-se a fuga, o medo, a astúcia, a dança, todas as reações diante do perigo são aceitas e redirecionadas para levá-lo à realização. Mas que realização é esta? Aquela que '[...] ao final vai dar em nada nada nada nada nada nada nada nada nada nada nada nada do que eu pensava encontrar...'."
Fonte: VARGENS, Meran. A Voz Articulada pelo Coração: ou a Expressão Vocal para o Alcance da Verdade Cênica. São Paulo: Perspectiva, 2013

quarta-feira, 26 de agosto de 2015

Ri, Yorick!

Uma visão de Shakespeare (ou pelo menos de Hamlet) do mundo:

“Como são enfadonhas, azedas ou rançosas,
Todas as práticas do mundo!
Ó tédio, ó nojo! Isto é um jardim abandonado,
Cheio de ervas daninhas,
Invadido só pelo veneno e o espinho –
Um quintal de aberrações da natureza.” (Hamlet, I, 2)

Ou, ainda, falando da terra e do ar:

“o ar, olhem só, o esplêndido firmamento sobre nós, majestoso teto incrustado com chispas de fogo dourado, ah, para mim é apenas uma aglomeração de vapores fétidos, pestilentos. Que obra-prima é o homem! (...) Contudo, para mim, é apenas a quintessência do pó.”

Em uma cena famosa de Hamlet, que se passa em um cemitério, depois de refletir sobre a fragilidade da vida humana e da decomposição de corpos que outrora foram pessoas, Hamlet toma em suas mãos o crânio do falecido bobo da corte, Yorick, e indaga a caveira descarnada:

“Yorick, onde andam agora as tuas piadas? Tuas cambalhotas? Tuas cantigas? Teus lampejos de alegria que faziam a mesa explodir em gargalhadas? Nem uma gracinha mais, zombando da tua própria dentadura? Que falta de espírito! Olha, vai até o quarto da Rainha e diz a ela que, mesmo que se pinte com dois dedos de espessura, este é o resultado final; vê se ela ri disso!” (V, 2)


Detalhe do Cartaz de uma montagem recifense

segunda-feira, 24 de agosto de 2015

O Estado islâmico continua com suas atrocidades e o Islã não se posiciona mundialmente de modo enérgico.

É a vleha e eficiente hipocrisia de certos religiosos. Enquanto facções do islã são amigáveis outras são destrutivas e assassinas (homofobia etc.).
Não se vê uma nota severa de dissidência universal.
Se nos uníssemos, as coisas não seriam assim.
O Fundamentalismo deve ser combatido em todas as instâncias.
Não podemos colaborar com nenhuma facção fundamentalista.
Novamente na Síria, em palmira, o EI destruiu templos com mais de dois mil anos.
Motivo? Eram dedicados (na antiguidade!) a "outro" deus.
Francamente!

Este belo monumento (romano) faz parte dos que foram destruídos a semana passada.

Ricos corruptos devolvendo dinheiro ao Governo Brasileiro? Só acredito olhando o recibo.

Dizem que os investigados da Operação Lava Jato (1) se comprometeram a devolver um terço (!) do que roubaram da Empresa estatal. Só um diz que vai entregar aos cofres dela R$ 338 milhões; a Camargo Correia devoveria R$ 700 milhões (assumindo assim a falcatrua!). O resto fica com quem? No rol das roubadas estão a Elotrobrás e outras...
Desgraçados!
É esta a punição?
Eles ficam com parte do dinheiro roubado e continuam funcionando, "normalmente" como se nada tivesse acontecido? E a semente do "mal"?
É isso?

sábado, 22 de agosto de 2015

A mídia explora Thammy Miranda, que agora pode ser Thommy, ator transexual:operou-se (removeu as mamas)

Bota para moer, o caldo é quente: Thammy Miranda, parece que está rolando uma história que ela gosta de ser chamado (a) de Thommy, ator transexual,  filho (a) de Gretchen (Freak le bumbum) está divulgando fotos onde exibe o tórax nu; sim, fez uma cirurgia e  removeu as mamas.



A foto é do apresentador do canal GNT Fernando Torquatto

E vem aí a biografia Thammy: Nadando Contra a Corrente (pela Editora BestSeller), autoria (autorizada, parece-me) da jornalista Marcia Zanelatto.


segunda-feira, 17 de agosto de 2015

Quero ser igual a Mandela! Direto de Chacao (Caracas!): López quer tomar o poder (todo poder corrompe?) Marketing pessoal?

Com a frase "Quero ser igual a Mandela!",  Leopoldo López, já responsável pela prefeitura de   Chacao (distrito de Caracas, Venezuela), traz no currículo algo importantíssimo para quem quer conquistar o Poder; PRESO POLÍTICO (pelo menos é contra o autoritarismo, mas também é a favor da própria eleição à Presidencia do país dele).

Resultado de imagem para Leopoldo López,

Em várias fotos  ele aparece dando soco no ar (coisa de gente autoritária, não? Imaginem Gandhi numa pose destas).
Resultado de imagem para Leopoldo López,


Ele me faz lembrar que depois e eleitos poucos conseguem largar o osso e depois virão outros que o ausarão disto e daquilo.
Inevitável eterno retorno.

Ele também gosta de exibir o físico:
Resultado de imagem para Leopoldo López,         Resultado de imagem para Leopoldo López,


E ostenta aliança na mão direita:
Resultado de imagem para Leopoldo López,

domingo, 16 de agosto de 2015

Finnegans Wake p.34




COLEGAS  DO RIVERUN OU RIVERUM !



 Jo,  e depois, eu mesmo, lemos  em voz alta o texto inglês da página 34. Ficamos atônitos. Como de costume. Atordoados. Mas Jo lembrou a referência a HCEarwicker que ocupa as últimas 7 linhas da página  33, um homem perfeito...mas  “stambuling” cambaleando. Isso evocou  a queda debaixo de “trovões” de Finnegan na primeira página do livro. Vida-morte, de pé-no chão,
maravilhoso-criticável. Algum tema perpassando o jogo das letras, a musicalidade da “alingua” joyceana.

Bom proveito da reunião. Tentei verificar o nome do autor de uma boa parte das   notas que estamos enviando. Não encontrei nada senão  esta habitual fonte chamada
www.finwake.com


Jacqeus  Laberge
Linha 1
Dumbaling (Dublin) respondendo em percussão ao stambuling do fim da p.33 
Leaking sneakers, par de sapato-tênis esburacado

Linha 2
Topantically, romantically anônimo
Abdul, nome do pai de Mohamed

Linha 3
Gamellax, das línguas nórdicas, salmão velho . Na mitologia irlandesa, há  o salmão  comendo  as frutas da avelã que traziam  conhecimento e sabedoria. Finn McCool, o líder mítico da Irlanda, veio  aprender a sabedoria  do velho e sábio pescador Finegas.

Mallons, nome do chefe da  polícia na época  dos crimes no Phoenix Park  em 6 de maio de 1882. O marido da sobrinha  do primeiro ministro inglês Gladstone se chamava Cavendish. Ele acabava de chegar em Dublin como novo representante  do governo inglês e era acompanhado por seu vice, o irlandês Burke. Ambos foram assassinados por membros do grupo  “Irish national Invencibles”.
Em 1886, o primeiro projeto de autonomia irlandesa com o nome “Irish Rule”, foi derrotado no parlamento inglês.  A iniciativa dos seguidores de Parnell, contando com o apoio dos liberais de Gladstone, foi derrubada pelos conservadores que assumiram o poder com o novo primeiro-ministro Robert Gascoyne-Cecil, marquês de Salisbury. 


Linha 5 e 6
Ibid, no mesmo lugar, o comandante dos fieis (faithful), ou dos apavorados (frightful) . Os fieis,  uns apavorados  !!?


Linha 6
Tropped head, homofonia com a popular expressão da morte súbita “dropped dead“

Linha7
Pfiat. Fiat o “seja feita” a vontade do Outro.

First of the month froods, foods, a primeira  comida do mês


Linha 8
Chopps pah kabback , homofônico de “chopps and cabbage”, costeleta e repolho.
The house by the churchyard, livro de  Sheridan Le Fanu (1814-1873)  primeiro escritor irlandês de histórias de terror 


Linha 9 
Roche, vigário no livro de Sheridan
Roche Haddocks, loja de peixe em Dublin
Lowe, nome de um magistrado no livro de Sheridan.
Também nome de chefe de policia em 1923.

Linha 10
Gob scene you   homofônico do God seen you = Deus viu você 
Narked,naked, Market,    nark= informar  naked=nu, nua      Market=mercado
Narked, exemplo típico em Joyce:  uma palavra só pode se desdobrar em outras mudando uma letra.
A letra, além da literatura, eis a principal motivação que Lacan encontrava na leitura de Joyce. Uma letra a mais, uma outra a menos, uma letra em lugar da outra, esvaziando o sentido, convidando à criar outros sentidos  e não-sentidos.

Linha 10-11-12
Edith ar home defileth    eat it , come em casa
Defileth (Mateus 15,11) poluir, sujar. As palavras que saiem da boca suja
poluem  these boyles,  esses boys,=meninos, bowels=intestinos
Cabful of bash, cab é taxi, cap é bonê,  cap full of mushrooms, cupfull,
Costume popular de colher cogumelos  ou frutas e colocar no bonê
We will have a great bash= vamos nos divertir

Linha 12
Homeur , homer, humour, Homero, medida de capacidade, variedade de associações
Slander, prejudicar alguém, processar, caluniar

Linha 13-14
Convict = condenar  Mas como seria possível condenar o bom, o grande,  good, great,  homogêneo Earwicker, igual a si-mesmo. O mestre,  o um do imaginário em Lacan
Ninguém nunca conseguiu encontrar motivo para processar este perfeito Earwicker


Linha 14  woodwards=cuidadores  da madeira, regarders=inspetor de florestas
Shomers= vigias

Linha 17
Chinchin é queixo movimentado quando se fala
Ted,Tam,Taffyd, Shem, Ham and Japhet +VYC

Linha 18
The soul of the corn, a alma do milho que serve para fazer álcool
Ou feito de barley cevada que é um processo mais complexo
Competição entre distelarias,
Milho serve de base de maioria dos  “whiskys“
Chin chin =votos de saúde bebendo álcool
Chin=queixo, levanta o queixo para beber
Ongentilmensky, gentileza

Linha 19
Os três homens pouco gentís bebendo whisky frente a duas garçonetes delicadas

Linha 21
A natureza mandou fazer xixi


Linha 23 silkinlane, seda e lã, as roupas íntimas das moças urinando

Linha 24
Wapt  wept material, tecido horizontal e vertical

Linha 25-26 vert- venison, o verde e os veados, animais dos parques, das florestas. O “deer” em inglês também tem a conotação feminina remetendo à  homossexualidade.Isso indicado também  nos mitos dos índios americanos
Wildest,  alusão a homossexualidade de Oscar Wilde

Linha 28
Sokeman um homem debaixo da jurisdição, do domínio de um outro
Saint Swithin’s day  15 julio se chover naquele dia,  vai continuar chovendo por   40 dias. Era, no século IX, o bispo conselheiro do rei. Ele quis ser enterrado fora do cimetério - choveu no dia do enterro dele Swithin’s
A chuva provoca a urina
Swithin summer (verão), indian summer in november
Where love is, God is, onde está o amor, está Deus, frase de  Tolstoy 1885  

Linha 29
Rosassharon no Canto de Salomão

Linha 30-31
We can’t do without them. Não podemos  fazer nada  sem elas.  “Hold on to her, no matter how bad she is. It’s worse without her” . Fique com ela, por mais ruim que ela seja. É pior sem ela”. Isso é o conselho que me deu Michael Kane, um matuto irlandês da aldeia da Jô, quando ele nos encontrou um dia . Ele, viúvo,  tinha  a fama de ter maltratado  muito a mulher dele.

Restyours, restrooms,  mulheres, depressa para salvar, rush to the rescue
Ofman will toman, de um canto popular. Podem ouvir durante a reunião do grupo. Ver em ”Irish rebel song” no título  “In memory of the dead“. ”Em memória dos mortos”. Estamos bebendo em memória dos que morreram lutando pela terra. Este canto tem o mesmo ritmo e som que  “The third West Cork brigade. The United irishmen era um  grupo rebelde  na região de Leinster em  1798 com suas reclamações por  terra, e suas denúncias de injustiças, sob a inspiração do idealismo republicano francês.  Foi também ativo  em condados de  Mayo, Antrim, Down, Donegal. Em 1800, a Irlanda se tornou parte integral do Reino Unido.

Há uma ou duas alusões a cantos ou músicas  em cada página de Finnegans Wake. O livro teria em redor de mil referências musicais da parte do  “escricantor” Joyce.

Linha 31  led-red
Zessid, necessity
academy  palavra reduzida a Kadem, uma língua chamada jespersen, nome de quem defendia o esperanto, uma possível língua mundial

Linha 32
Villapleach, vollapluck , isso parece o recurso  musical da percussão
Voll. Mundo   puck língua  Língua mundial, algo que teria sido  sugerido por Deus em um sonho ao padre alemão Schleer, 1880.


Fikup, africa e fuckup, o popular “foda-se!!.
Nelly, nome de uma mulher


Linha 33
lilyth, primeira mulher ingovernável  de Adão
Mãe de Caín, Lilith,= demônio semítico feminino 
não amigável em relação à crianças e mulheres grávidas.

Se ela for uma lilith, “Pull early”, coito interrompido

Pauline allow, São  Paulo aceita a ruptura de casamento entre crentes e não crentes (carta aos Corinthians, 7,15)

Malers, homens, maler=painter in german

Linha 35-36

Se expressou claramente embora tivesse problema na garganta
Burr sod na garganta


  






Um artista plástico fala sobre a crise do Brasil

Uma frase me deixou animado hoje. Veio do paraibano João Câmara: O Brasil não sairá da crise facilmente, na via econômica, nem política, pois a crise é uma crise de conceito do país, precisamos entender nossa PRÓPRIA CULTURA.

Ecos de tinta e papel (poema de moisesneto)





Me pareces, querida, sofrida
tuas cores, formas exóticas, despóticas
rasuram fronteiras entre essências e besteiras

Recife aplaude o musical Cássia Eller


por Moisés Monteiro de MeloNeto

Fui ontem ao Teatro RioMar assistir ao musical Cássia Eller,  narra a trajetória da cantora, que conheci em Brasília, em 1988. Cássia morreu em 2001, antes dos famigerados 40 anos. Aparentemente tímida para algumas coisas, era uma fera no palco, onde ganhava força e ali transitava por gêneros variados. Sob a direção de João Fonseca e Vinicius Arneiro,  roteiro de Patrícia Andrade, direção musical de Lan Lan (que namorou com Cássia), o musical exibe um pouco, na linha programa para adolescente, o fenômeno, o tipo estranho e envolvente, de voz incrível, que em 20 anos de carreira, fazendo a linha Janis Joplin, morreu no auge.




Na minha sessão estava Jana Figarella no papel-título, desta  produção da Turbilhão de Ideias. 


No repertório : “Todo Amor que Houver nessa Vida”, “Que País é esse” “Lanterna dos Afogados”, “Palavras ao Vento”, “Malandragem”, além de composições de Nando Reis. No elenco: Eline Porto, Emerson Espíndola, Evelyn Castro, Jandir Ferrari, Thainá Gallo e Juliane Bodini.
O cenário é minimalista (cadeiras, fundo preto, lembrando de leve o do especial Eller da MTV). Eu tinha visto o Rita Lee  Mora ao Lado (a peça) e estava acostumado com este tipo de narrativa cênica. Não se pode dizer que é um grande espetáculo. Mas é envolvente. Está ali para satisfazer uma espécie de vício de fãs e neófitos afins. Tem o patrocínio do Banco do Brasil e transborda carioquismos, ou soa paulistano, sabe Deus. Cássia quase não tem texto e falta uma construção mais apurada na composição de todos os personagens )que patinam à beira fa caricatura). Às vezes parecem pets.
Não mostrar a morte do ídolo contribui para uma anti?) apoteose lírica (o velho truque da cadeira vazia e o foco melancólico único).




Teatro lotado e muitas palmas (o que não implica em qualidade, claro). Uma matinê gostosa cheia de chupa e abana. Na plateia estavam críticos e professores de Teatro. Espero que contribuam com seus pareceres. E assim Recife vai recebendo as delícias e cambalachos do teatro contemporâneo.

sábado, 15 de agosto de 2015

Indo assistir à sessão das 5 (adoro matinês), do musical Cássia Eller, ao lado de uma figuraça que amo e está ligada de forma inseparável à minha história); no elenco uma garota de Manaus que estudou na UFPE: Jana Figarella. Vou botar pra moer.

Abraço forte, caros amigos virtuais e vitais. Amanhã faço a crítica aqui. OK?

EU VIM COM A NAÇÃO ZUMBI!

Jorge du Peixe e Moisés Neto

Recife hoje está da pesada. Nação Zumbi​ no Clube Português! Aí estou ao lado de Jorge du Peixe. O meu livro sobre Chico Science e o Movimento Mangue, ou Manguebeat (Chico Science: A Rapsódia Afrociberdélica), está à venda na Livraria Cultura; são 400 páginas de prazer que sinto com esse pessoal, já faz tempo. Minha geração encontrou neste grupo um excelente canal de expressão.

Com Lúcio Maia (Nação Zumbi) e Júnior, na época do lançamento do meu livro "Science, Zero Quatro, Faces do Subúrbio" (ele está segurando o exemplar dele)

sexta-feira, 14 de agosto de 2015

Refinaria Abreu e Lima e Arena Pernambuco: escândalos em série

Quanto ao roubo no projeto e execução da Refinaria Abreu e Lima, o negócio está mais entocado do que se pensa, não é?
 Mas hoje surgem as provas da fraude na escolha do projeto, orçamento e execução das obras da Arena Pernambuco.
Resta a pergunta:
Até quando estes escândalos em série serão abafados?
Crise? Cadê os culpados que não devolvem o dinheiro aos cofres públicos?
Por que todos tê que pagar pelas falcatruas dos outros?E parece claro quais são os beneficiados com bilhões em jogo, não parece?


quinta-feira, 13 de agosto de 2015

Recado à portuguesa

Moisés Monteiro de Melo Neto


Álvaro de Campos
Lisbon Revisited
(l923)
 
NÃO: Não quero nada. 
Já disse que não quero nada. Não me venham com conclusões! 
A única conclusão é morrer.
Não me tragam estéticas! 
Não me falem em moral!
Tirem-me daqui a metafísica! 
Não me apregoem sistemas completos, não me enfileirem conquistas 
Das ciências (das ciências, Deus meu, das ciências!) — 
Das ciências, das artes, da civilização moderna!
Que mal fiz eu aos deuses todos?
Se têm a verdade, guardem-na!
Sou um técnico, mas tenho técnica só dentro da técnica. 
Fora disso sou doido, com todo o direito a sê-lo. 
Com todo o direito a sê-lo, ouviram?
Não me macem, por amor de Deus!
Queriam-me casado, fútil, quotidiano e tributável? 
Queriam-me o contrário disto, o contrário de qualquer coisa? 
Se eu fosse outra pessoa, fazia-lhes, a todos, a vontade. 
Assim, como sou, tenham paciência! 
Vão para o diabo sem mim, 
Ou deixem-me ir sozinho para o diabo! 
Para que havemos de ir juntos?
Não me peguem no braço! 
Não gosto que me peguem no braço.  Quero ser sozinho.  
Já disse que sou sozinho! 
Ah, que maçada quererem que eu seja da companhia!
Ó céu azul — o mesmo da minha infância — 
Eterna verdade vazia e perfeita!  
Ó macio Tejo ancestral e mudo, 
Pequena verdade onde o céu se reflete! 
Ó mágoa revisitada, Lisboa de outrora de hoje! 
Nada me dais, nada me tirais, nada sois que eu me sinta.
Deixem-me em paz!  Não tardo, que eu nunca tardo... 
E enquanto tarda o Abismo e o Silêncio quero estar sozinho!

Kurt Cobain, mensagens do além

O diretor de um  filme sobre Kurt Cobain, Brett Morgen, horas de música de do astro grunge nunca escutadas. 




"Não conseguia entender que isto existia e ninguém tinha encontrado", disse ele. Há mais ainda no arquivo: músicas inéditas do Nirvana!  O CD trará assim  material inédito do músico.


terça-feira, 11 de agosto de 2015

O enigma do Abaporu

O enigmático quadro de Tarsila do Amaral ainda continua causando em nossos dias. Propriedade do povo argentino, foi inspirado pela obra o pensador, de Rodin.
Ícone da Antropofagia oswaldiana, traz a flor do cactus no lugar do sol.
Metáfora das metáforas nacionais o bicho ainda está pegando, não adianta correr.
Quem arrisca uma análise diferente?
Logo será nonagenário.
Lembremo-nos de que a Mona Lisa é italiana e está com os franceses há séculos...

sábado, 8 de agosto de 2015

José Teles e seus escritos incríveis (Joplin no Brasil...)

Ótima a matéria do grande José Teles no JC (sobre Edy Star), de onde me veio mais uma informação sobre a estada de Janis Joplin no Brasil: ela quebrou um espelho com uma garrafada depois de ser barrada num hotel na Bahia (depois de ser expulsa do Copacabana Palace e ser barrada num camarote oficial do samba).







A antidiva Janis Joplin curtindo o carnaval no Brasil: escândalos do desbunde

A obra de Copi, Raul Taborda Damonte: dramaturgia argentina contemporânea

Eva Perón, Loretta Strong, Geladeira são peças de Copi, Raul Taborda Damonte, conhecido como Copi (“Copí), dramaturgo, caricaturista e romancista argentino que em 1963, radicou-se em Paris, em 1987(20 de novembro de 1939, Buenos Aires 14 de dezembro de 1987,Paris). Nessas três peças provocadoras e iconoclastas, traduzidas pela primeira vez para a língua portuguesa, Copi – ou Raúl Damonte Botana, romancista e dramaturgo argentino – aborda, com um humor surrealista, as conflitantes relações familiares e a noção ambígua de identidade sexual. Uma das mais importantes vozes do teatro contemporâneo. Se ainda estivesse vivo, ele estaria fazendo piada com a polêmica crucificação de uma transexual na Parada LGBT em São Paulo. Não por menosprezar as questões de gênero, mas por constantemente abordá-las em sua obra com ironia e sarcasmo a fim de chamar atenção para o preconceito. Houve a estreia de dois de seus espetáculos aqui no Brasil –“O Homossexual ou a Dificuldade de se Expressar” e “A Geladeira” no Espaço Sesc em uma ocupação teatral que envolveu ainda debates e oficinas. Mais conhecido pelo apelido de Copi (pronuncia-se Copí), o dramaturgo fez história no teatro contemporâneo europeu. Sua obra dialoga com as vozes caladas de todos os tempos e ele direcionou sua investigação artística para temáticas difíceis do cotidiano humano, como solidão, violência, sexo e morte. Copi foi uma mensagem dentro de uma garrafa direcionada para o futuro, pois tratava de questões que se encaixam totalmente no contexto dos dias de hoje. Especialmente quando o discurso conservador anda sendo engrossado por uma grande maioria – avalia o diretor Fabiano de Freitas. Inédita no Brasil (século XXI), a montagem “O Homossexual ou a Dificuldade de se Expressar” foi escrita em 1971, o texto coloca em cena o melodrama absurdo vivido por Irina e Madre. Ambas estão exiladas na Sibéria, rodeadas por lobos e ameaçadas por um grave vírus não especificado. Seu crime: mudaram de sexo. O monólogo “A Geladeira” apresenta a história de um ex-modelo de meia-idade que decide se suicidar dentro do eletrodoméstico depois de ter sido abusado, agredido e extorquido por diversos personagens que cruzam a sua história. Copi trabalha muito a figura do ator-travesti em suas histórias. Sendo que “travesti” aqui não é apenas o homem que se veste de mulher, mas sim todas as complexas relações de gênero, que podem ser humanas ou animais. Escrita em 1983, ela mostra um autor já conformado com sua iminente morte. Se a morte ronda seus escritos de uma maneira geral ao longo de sua trajetória artística, “A Geladeira” sobrepõe a vida à finitude em uma verdadeira declaração de amor ao teatro. Embora o trabalho de Copi ainda seja pouco conhecido no Brasil – sua obra permaneceu proibida durante muitos anos na Argentina –, o dramaturgo possui em seu currículo mais de uma dezena de textos escritos .

Brasil afogado em dinheiro (dos ricos)

O jogo político no Brasil continua empolgante, para dizer o mínimo. O PT quer Lula (assim a Lava Jato não poderia alcançá-lo) como Ministro das Relações Exteriores e sugere tirar Temer da pasta de Relações Institucionais. Dona Marisa (de Lula) ressurge (eu gosto do casal ), então, mais loura e enigmática do que nunca.
Já Romário exige 75 milhões de reais da revista Veja (reacionária...) pela calúnia impressa a respeito dele.
Enquanto isso os grandes empresários brasileiros que comprovadamente roubaram bilhões, pagam apenas cerca de 6 milhões para limpara a ficha, e devolvem cerca de 5% do valor total do roubo e sabe Deus para onde vão esses milhões.
E o Banco Central vai aumentar a intervenção no mercado cambial e tentar dar um jeito na ganância dos americanos com a alta do dólar. A seguir: cenas dos próximo$ capítulo$...




sexta-feira, 7 de agosto de 2015

Vanguardas brasileira: Concretismo, Tropicália & mais...

Prof. Moisés Monteiro de Melo Neto


O CONCRETISMO: Vanguarda
 e novas possibilidades estéticas na poesia

O desejo de renovação estética fez surgir, no Brasil, a mais significativa vanguarda poética após a Semana de Arte Moderna de 1922.
Entre os anos de 1956 e 1962 ocorreram publicações que exploraram novas formas de fazer poesia. Era o desejo do novo em meio à civilização industrial e tecnológica, afinal “sem forma revolucionária, não há arte revolucionária”, pensou Maiakóvski.
Visou-se, nesse momento ao despojamento do vocábulo e ao uso, mais racional possível da palavra ­­– projeto já iniciado pelo pernambucano João Cabral de Melo Neto.A essa renovação da linguagem, do uso da palavra e do experimentalismo estético, chamou-se CONCRETISMO. Em 1952, formou-se o grupo NOIGANDRES e ocorreu a publicação de uma revista com o mesmo nome (NOIGANDRES = “antídoto do tédio”) que divulgou o desejo de novas formas de fazer poesia e a proximidade da poesia com as artes visuais.
Em 1956, houve, no Museu de Artes Moderna de São Paulo, a primeira mostra da poesia concreta. Estava lançado oficialmente o movimento da Poesia Concreta. Muitos apoiaram e outros repudiaram. O grupo Haroldo de Campos, Décio Pignatari e Augusto de Campos (grupo noigandres) divulgou a nova tendência na arte em suplementos de jornais da época que virou depois um livro (Teoria da Poesia Concreta – 1965). Leia os textos a seguir: Observe a ruptura com a estrutura discursiva do verso tradicional e o renascimento do poema-ícone.

(Poema de Haroldo de Campos)


                                                                  

Outros TEXTOS:


                               se
                               nasce
                               morre nasce
                               morre nasce morre
                                               renasce remorre renasce
                                                               remorre renasce
                                                                              remorre
                                                                                       
                                               desnasce
          desmorre desnasce
       desmorre desnasce desmorre
                                                               nasce morrenasce
                                                               morrenasce
                                                               morre
                                                               se


(poema de Augusto de Campos)



 

(poema de DÉCIO PIGNATARI)

Os textos de Décio Pignatari e de Augusto de Campos põem em evidência o desejo dos poetas concretos nesse momento: a morte da poesia intimista e o desaparecimento do eu-lírico. Valorizou-se a geometrização e o aspecto visual da linguagem. Essas novas experiências têm seu alicerce em vanguardas europeias como o Futurismo e o Cubismo.
Entre os precursores brasileiros da tendência concretista pode-se apontar Oswald de Andrade (“em comprimidos minutos de poesia”) e João Cabral de Melo Neto (“linguagem direta, economia e arquitetura funcional do verso”). Além de Décio Pignatari e dos irmãos Campos, integraram a corrente concretista José Paulo Paes, Ronaldo Azevedo, Pedro Xisto, José Lino Grunewald, Edgar Braga.

1.       Característica da Poesia Concreta
Exploração de todas as potencialidades das palavras e das combinações sintáticas.
Ruptura com a leitura linear (cada poema é um convite a um novo tipo de leitura) – LUDISMO.
Aproveitamento das conquistas modernistas de 1922 (as experiências radicais de Oswald de Andrade).
Objeção ao subjetivismo formalista e o ideário classicizante.
Influência da civilização industrial e tecnológica. Reflexo dos meios de comunicação de massa (quadrinhos, por exemplo).
Preferência por estruturas nominais que se relacionam espacialmente (horizontal e/ou verticalmente).
Substituição da sintaxe verbal pela sintaxe analógico-visual (visão, audição, carga semântica).
Valorização do significante (a palavra).
Exploram-se os campos:

a)       Semântico: polissemia, trocadilhos.
b)       Sintático: ruptura com a sintaxe tradicional.
c)       Léxico: neologismos, estrangeirismos, siglas, substantivos concretos.
d)       Morfológicos: separações dos prefixos, dos radicais, dos sufixos.
e)       Fonético: uso de figuras de som; jogos sonoros.
f)        Topográfico: abolição do verso tradicional, aproveitamento dos espaços brancos, ausência dos sinais de pontuação. (Explora-se uma sintaxe mais gráfica).   

1.1    Poesia – Práxis e poema processo (signos visuais plásticos): “a palavra é uma célula dos discursos”. O texto – práxis  valoriza a palavra no contexto extralinguístico. A palavra se caracteriza pela periodicidade e repetição cujo sentido e dicção mudam, segundo sua posição no texto.

                 FORÇA NA FORÇA
             A palavra na boca
Na boca a palavra: força

A forca da  palavra força
A palavra rolha fofa

A rolha sem força
a palavra em folha rolha

na força da palavra forca
 a  palavra de boca em boca

na boca a palavra forca
a palavra e sua força

falar na era da forca
calar na era da força

na era de falar a forca
a era  de calar a boca

na era de calar a boca
a era  de falar à força

calar a força da boca com a força
falar a boca da força com a força

calar falar a palavra
não na ira da era ida

falar calar a palavra
nesta ira de era viva

calar a palavra na era ida da ira
falar a palavra na viva era da vida


mas a forca da palavra força
: um cedilha em sua boca

(Mário Chamie: Objeto Selvagem)

Vale destacar, com base no texto, que Chamie desenvolveu seu trabalho explorando as permutações fonéticas e as variações semânticas possíveis de algumas palavras: falar – calar; era – ira.

Agiotagem


um
dois
três
o juro: o prazo
o pôr / o centro / o mês / o ágio

porcentágio.

dez
cem
mil
o lucro: o dízimo
o ágio / a moral / a monta em péssimo

empréstimo.

muito
nada
tudo
a quebra: a sobra
a monta / o pé / o cento / a quota

haja nota

agiota.
(poema Mário Chamie)

Poema – Processo: O poema – processo também proveio da poesia concreta. Apareceu em fins de 1967, no Rio de Janeiro e seu maior representante foi Wladimir  Dias-Pino.  Entra-se na área dos signos visuais plásticos à procura de novas experiências”. Busca-se a superação da palavra: “O poema se faz com o processo e não com palavras (...) O poema é físico e tátil em sua visualização”. No poema concreto, é a palavra que é disposta no espaço da página para dar conformação, a conformação visual ao poema. Nos trabalhos de Dias- Pino, as palavras são substituídas, no decorrer dos trabalhos, por signos gráficos (figuras geométricas, perfurações no papel etc) e ao final os trabalhos  ficam sem qualquer palavra.



A Poesia Social

Alguns escritores dos anos 50 e 60 se opuseram aos excessos de teorização e experimentalismo que caracterizam a poesia modernista desta época e  propuseram a volta à estrutura discursiva do verso. Além da linguagem discursiva, preocuparam-se em trazer par o texto o dia-a-dia difícil do homem comum, a situação política caótica. Nasce uma arte que revela a postura do escritor diante da vida.
São escritores desse momento: Thiago de Melo e principalmente Ferreira Gullar que rompeu com o grupo de poesia concreta (pouco antes do golpe de 1964) e se voltou para a construção de (textos mais na linha social). A Guerra Fria, o mundo capitalista, a opressão, a bomba atômica, o Terceiro Mundo (começaram a incomodar o “poeta maranhense” que se mudou depois para o Rio de Janeiro. Em 1962, escreveu João da Boa-Morte, Cabra Marcado para Morrer e Quem Matou Aparecida. Na época da ditadura militar, sua poesia ganhou ainda mais resistência. Nasce Dentro da Noite Veloz (1975) e Poema Sujo (1976).Produziu ainda na linha da dramaturgia e dos ensaios. No teatro, destacou-se com a pela Se correr o bicho pega, se ficar o bicho come. Com Vanguarda  e Subdesenvolvimento (1969) fez um ensaio sobre sociologia da arte e em 1963, a linha do ensaio já se fazia notar com CULTURA POSTA EM QUESTÃO. Em seus ensaios, Gullar teorizou sobre a participação do artista no processo de evolução social. Tem também roteiros para a televisão com o objetivo de manter viva sua poesia de resistência. Repugnando a repressão e ávido por justiça carregou nas tintas e fez uma obra de tensão psíquica e ideológica. Um trabalho de denúncia dos problemas da época. Viveu, exprimiu e experimentou as angústias de uma crise cultural, evidenciou em seu lirismo trágico e subversivo os problemas do homem, conduziu a manifestação poética para além de quaisquer limites. O poeta do mundo em suas muitas vozes trouxe ainda para a tessitura textual a sua infância, os seus parentes e conhecidos, o cotidiano da velha São Luís do Maranhão.

Os escritores Ferreira Gullar e Moisés Monteiro de Melo Neto


Sua poética, no dizer de Ivan Junqueira “está marcada, desde o início por um intenso e radiante cromatismo, por uma viva preocupação plástico-visual.”
Apesar do envolvimento político-social, manteve-se autêntico para falar de suas lembranças “sujas”, de um momento gravado a “ferro e fogo” em sua alma de poeta universal em sua peculiaridade, em sua habilidade em tornar lírico o cotidiano dos homens comuns.


A VIDA BATE

O amor é difícil
mas pode luzir em qualquer ponto da cidade.
E estamos na cidade
sob as nuvens e entre as águas azuis.
A cidade. Visto do alto
ela é fabril e imaginária, se entrega inteira
como se estivesse pronta.
                Vista do alto,
com seus bairros e ruas e avenidas, a cidade
é o refúgio do homem, pertence a todos e a ninguém
Mas vista de perto,
revela o seu túrbido presente, sua
carnadura de pânico: as
pessoas que vão e vêm
que entram e saem, que passam
sem rir sem falar, entre apitos e gases. Ah, o escuro sangue urbano
movido a juros.
São pessoas que passam sem falar
e estão cheia de vozes
e ruínas. És Antônio?
És Francisco? És Mariana?
Onde escondeste o verde
Clarão dos dias? Onde
escondeste a vida
que em teu olhar se apaga mal se acende?
E passamos
carregados de flores sufocadas.
Mas, dentro, no coração,
eu sei,
a vida bate. Subterraneamente,
a vida bate
Em Caracas, no Harlem, em Nova Delhi,
sob as penas da lei,
em teu pulso.
                a vida bate
E é essa clandestina esperança
misturada ao sal do mar
que sustenta
esta tarde
debruçado à janela de meu quarto em Ipanema
na América Latina.

                   (Ferreira Gullar em Dentro da Noite Veloz)


2. TROPICALISMO

                Na década de 60 (1960) ocorreram vários festivais de MPB. Jovens dessa época preocuparam-se em expor uma linguagem verbal e musical bem diferente. Queriam romper a tradição (Chico Buarque) e protestar (Geraldo Vandré).
                O Tropicalismo (1967) foi um movimento artístico-cultural que nasceu com os jovens Caetano Veloso, Gilberto Gil, o grupo Mutantes e Tom Zé.
                Admiradores das inovações musicais do movimento Bossa Nova (encabeçado por João Gilberto, Tom Jobim e Vinícius de Moraes) e movidos pelo desejo de devorar as várias tendências culturais nascido com a antropofagia de Oswald de Andrade. Os artistas partiram para a construção de uma música que fundisse os Beatles (e suas guitarras elétricas), a Bossa Nova e o regionalismo de Luís Gonzaga: as guitarras incorporadas à música brasileira e o afã de deglutir diversas tendências musicais, culturais.
                Aproximar os aspectos contraditórios de nossa realidade: o lado cultura, civilização x o lado primitivo, o popular com o erudito. Eis a marca desse movimento cuja base foi uma visão crítica da cultura e de realidade brasileira num momento de ditadura militar, de Al-5, de presos políticos e exílios.

Texto: TROPICÁLIA (Caetano Veloso)

 Sobre a cabeça os aviões/ sob os meus pés os caminhões/ aponta contra os chapadões
meu nariz /eu organizo o movimento/ eu oriento o carnaval/ eu inauguro o monumento /no planalto central do país/ viva a bossa sa as/ viva a palhoça ça ça ça/ o monumento é de papel crepom e prata os olhos verdes da mulata/ a cabeleira esconde atrás da verde mata o luar/ do sertão/ o monumento não tem porta/ a entrada é uma rua antiga estreita e torta/ e no joelho uma criança sorridente feia e morta/ estende a mão/ no pátio interno há uma piscina/ com água azul de Amaralina coqueiro fala e brisa nordestina/ e faróis/ na mão direita tem uma roseira/ autenticando eterna primavera e nos jardins os urubus passeiam a tarde inteira/ entre os girassóis/ viva maria ia ia/ viva a bahia ia iá iá ia/ no pulso esquerdo o bang-bang/ em suas veias corre muito pouco sangue/ mas seu coração balança ao som de um tambor/ emite acordes dissonantes/ pelos cinco mil alto-falantes/ senhoras e senhores ele põe os olhos grandes sobre mim/ viva iracema  ma ma/ viva ipanema ma ma ma ma/ Domingo é o fino da bossa/ Segundo-feira está na fossa/ Terça-feira vai à roça/ porém/ o monumento é bem moderno/ não disse nada do modelo do meu terno/ que tudo mais vá pro inferno/ meu bem/ viva a banda da da/ carmem miranda  da da da da (Caetano Veloso)