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sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

José Saramago abre o jogo para Moisés Neto

José Saramago: a entrevista
(esboço para um texto de Moisés Neto)




MOISÉS NETO- A arte romanesca multifacetada e obstinadamente criada por Saramago, confere-lhe um alto estatuto. Em toda a sua independência Saramago invoca a tradição que, de algum modo, no contexto atual, pode ser classificada de radical. A sua obra literária apresenta-se como uma série de projetos onde um, mais ou menos, desaprova o outro mas onde todos representam novas tentativas de se aproximarem da realidade fugidia. Estou tão emocionada! O homem está aqui ao meu lado. E ele tem fama de...ser...tão...tão...severo!

SARAMAGO- Bobagem sua, Moisés. Vamos direto ao assunto e deixe  de besteiras que não temos muito tempo.

MOISÉS NETO- Antes de mais nada ...estou tão emocionado por entrevistar um prêmio Nobel...

SARAMAGO- Então comece logo que passa este nervosismo.

MOISÉS NETO- Como começou sua vida de escritor?

SARAMAGO- Nasci em Portugal... 1922. Pobre! Fui serralheiro mecânico, desenhista, funcionário de saúde e de previdência social, editor, tradutor, jornalista.

MOISÉS NETO—E seu primeiro livro?

SARAMAGO- Meu primeiro livro? Um romance, em 1947. Só em  1976 passei a viver exclusivamente do meu trabalho literário, primeiro como tradutor, depois como autor.

MOISÉS NETO- O que você acha da campanha para incentivar a leitura?

SARAMAGO- Bobagem, caro Moisés Neto. Bem sabes que ler é para poucos!

MOISÉS NETO- O senhor foi laureado com o Prêmio Nobel da Literatura 1998...

SARAMAGO- De novo esta pergunta?

MOISÉS NETO - Como é o seu estilo?

SARAMAGO- Com parábolas portadoras de imaginação, compaixão e ironia torno constantemente compreensível uma realidade fugidia

MOISÉS NETO-O senhor só atingiu a celebridade quando cumpriu os 60 anos. Desde então alcançou a notoriedade e tem visto a sua obra ser freqüentemente traduzida. Vive presentemente nas ilhas Canárias?

SARAMAGO- É.

MOISÉS NETO- O seu "Manual de Pintura e Caligrafia: um romance", que saiu em 1977, ajuda-nos a entender o que viria a acontecer mais tarde. No fundo, trata-se do nascimento de um artista, tanto o do pintor como o do escritor. O livro pode, em grande parte, ser lido como uma autobiografia?

SARAMAGO- Na sua intensidade, ele encerra também o tema do amor, assuntos de natureza ética, impressões de viagens e reflexões sobre a relação entre o indivíduo e a sociedade. A libertação alcançada com a queda do regime salazarista transforma-se numa imagem final portadora de abertura.

MOISÉS NETO- E quanto a "Memorial do Convento", de 1982, é o romance que o tornou célebre?

 SARAMAGO- É um texto multifacetado e plurissignificativo que tem, ao mesmo tempo, uma perspectiva histórica, social e individual.

MOISÉS NETO-Eu queria que o senhor falasse sobre "O Ano da Morte de Ricardo Reis", publicado em 1984,  um dos pontos altos da sua produção literária.

SARAMAGO- A ação passa-se formalmente em Lisboa no ano de 1936, em plena ditadura, mas possui um ambiente de irrealidade superiormente evocado. Este ambiente de irrealidade é acentuado pelas repetidas visitas do falecido poeta Fernando Pessoa a casa da personagem principal (que é extraída da produção pessoana) e das suas conversas sobre os condicionalismos da existência humana. Juntos deixam o Mundo após o seu último encontro.

MOISÉS NETO-  Em "A Jangada de Pedra", publicada em 1986, onde o senhor recorre a um estratagema típico. Uma série de acontecimentos sobrenaturais culmina na separação da Península Ibérica que começa a vogar no Atlântico, inicialmente em direção aos Açores.

SARAMAGO- (ri um pouco) Esta situação criada por mim deu-me um sem-número de oportunidades para, no meu estilo muito pessoal, tecer comentários sobre as grandezas e pequenezas da vida, ironizar sobre as autoridades e os políticos e, talvez muito especialmente, com os atores dos jogos de poder na alta política.

MOISÉS NETO  - Muito engenhoso

SARAMAGO- Pois pois...

MOISÉS NETO – Em relação ao livro "História do Cerco de Lisboa", de 1989, um romance sobre um romance?

SARAMAGO- Ah! Essa história nasce da obstinação de um revisor ao acrescentar um não, um estratagema que dá ao acontecimento histórico um percurso diferente e, ao mesmo tempo, ofereceu-me um campo livre à sua grande imaginação e alegria narrativa, sem o impedir de ir ao fundo das questões.

MOISÉS NETO – E o polêmico "O Evangelho segundo Jesus Cristo", de 1991, que culminou com o seu auto-exílio na Espanha? Conta só pra gente. Vai!

SARAMAGO- Não há mistérios! Trata-se de um romance sobre a vida de Jesus encerra, na sua franqueza, reflexões merecedoras de atenção sobre grandes questões. Deus e o Diabo negociam sobre o Mal. Jesus contesta o seu papel e desafia Deus.

MOISÉS NETO - Publicado em 1995, "Ensaio sobre a Cegueira". O narrador onisciente leva-nos numa horrenda viagem através da interface que é formada pelas percepções do ser humano e pelas camadas espirituais da civilização.

SARAMAGO- A riqueza efabulatória, excentricidades e agudeza de espírito encontram a sua expressão máxima, de uma forma absurda, nesta obra cativante. "Queres que te diga o que penso, Diz, Penso que não cegamos, penso que estamos cegos, Cegos que vêem, cegos que, vendo, não vêem.".

SARAMAGO- Isto.

MOISÉS NETO- Virou filme, dirigido por um brasileiro. O senhor gostou.

SARAMAGO- Fiquei emocionado.

MOISÉS NETO- O senhor tem uma maneira peculiar de escrita. Sua marcação de parágrafos, sua sintaxe... marcar diálogos com vírgulas... mesmo assim, o seu texto é tão claro. O senhor se considera um escritor hermético?

SARAMAGO- Não. Não me considero um escritor hermético.

MOISÉS NETO- E quanto a verter os seus livros para o português usado no Brasil?

SARAMAGO- Ah, isto eu sou contra. Por exemplo verter a prosa genial de Guimarães Rosa para o português de Portugal seria um crime.

MOISÉS NETO- E a respeito do seu livro "Todos os Nomes"?

SARAMAGO- Ora! É uma história sobre um pequeno funcionário público da Conservatória dos Registos Centrais de dimensões quase metafísicas. Ele fica obcecado por um dos nomes e segue a sua pista até ao seu trágico final.


MOISÉS NETO-  Diga-nos agora: e As Intermitências da Morte?
SARAMAGO- Pode-se dividir a obra em três partes. A primeira é a intermitência da morte, uma visão panorâmica dos fatos a partir do dia 1º de janeiro, quando ninguém mais morreu naquele país. Aqui são abordados os paradoxos da ausência da morte, conflitos, discussões e soluções para o problema dos que não morrem nem podem voltar a viver, os moribundos.

MOISÉS NETO- No sétimo capítulo há uma carta encaminhada pela morte a uma emissora de televisão, para que seja levada a público a notícia de seu retorno. Contudo, o retorno dar-se-á sob novas regras: “a partir da meia-noite de hoje se voltará a morrer tal como sucedia, sem protestos notórios (...) ofereci uma pequena amostra do que para eles seria viver para sempre (...) a partir de agora toda a gente passará a ser prevenida por igual e terá um prazo de uma semana para pôr em dia o que ainda lhe resta na vida”.

SARAMAGO- Para cada um a quem estivesse a chegar a temida hora da partida sem volta, o tal prazo de sete dias seria precedido pelo recebimento de uma carta, de autoria da morte, anunciando-lhe a “rescisão deste contrato temporário a que chamamos vida”. Este novo sistema de anunciação e a reação das pessoas - também calamitosa - tomará os próximos três capítulos.

MOISÉS NETO- No décimo capítulo, uma dessas cartas - que deveria ser recebida por um violoncelista - é devolvida à remetente, isto é, à morte..

SARAMAGO- Nesta parte a morte é humanizada, para muitos o ponto alto do livro. A personificação da morte e a necessidade que esta sente de ser amada.

MOISÉS NETO-  (tosse) Mas há outros livros seus que são muito comentados: é o caso de O conto da ilha desconhecida... ou o mais recente: Caim. E quanto aos seus livros de Poesia?

SARAMAGO- Gosto de Provavelmente Alegria e de Os Poemas Possíveis e da peças de Teatro que escrevi:  Que Farei com Este Livro,  In Nomine Dei,  A Segunda Vida de Francisco de Assis e A Noite?
Vamos parar agora, certo?

MOISÉS NETO- O senhor manda.  Em nome dos nossos internautas lhe agradeço a entrevista. 

Poema de Moisés Neto

Enfant terrible!


A juventude me ensinou:
Lamentável pagar cada vez mais por um só erro.
o Destino nunca cessa de cobrar suas dívidas.
Em momentos quando o desejo é o que os homens chamam de pecado
 e ele domina a nossa natureza
 cada fibra do corpo e cada célula do cérebro
 parecem ser movidas por impulsos incontroláveis(?)
perdemos sua liberdade e seu arbítrio.


quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

Doce de mãe: aquém das expectativas

Atento  a Fernanda Montenegro (dirigida por Jorge Furtado) em Doce de Mãe (série da TV Globo), interpretando a já clássica  dona Picucha, octogenária que quer viver sozinha (os brilhantes  Louise Cardoso e  Matheus Nachtergaele estão no elenco) fiquei frustrado. O episódio foi fraco em termos dramatúrgicos e não deu espaço a boas interpretações (raras excessões) A Casa de Cinema de Porto Alegre coproduz a história que deu a Fernanda o Emmy Internacional de melhor atriz em 2013. Talvez melhore.


quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

Realismo na arte: a tentativa de uma forma mais objetiva de ver o mundo (por Moisés Neto)

REALISMO


Na segunda metade do século XIX, o contexto sociopolítico europeu mudou bastante. Lutas sociais, tentativas de revolução, nova ideologia, o impulso da ciência...
O mundo se materializava cada vez mais e o artista passa a ver friamente a realidade, torna-se um analisa do seu tempo.

A Revolução Industrial desencadeou mudanças no modo de produção que se tornou responsável pela reordenação da economia mundial no século XIX.




O avanço capitalista promoveu um agravamento dos problemas sociais. Os artistas passaram a retratar a miséria. A sociedade toma conta da arte.
O que se observava nesse momento era um processo de industrialização com efeitos contrários ao esperado: acentua-se o abismo entre a burguesia e a classe trabalhadora (proletariado). A fome, o desemprego, a prostituição crescem.
Nasce o projeto literário realista e os folhetins continuam a ser o principal veículo de divulgação das obras,
Na segunda metade do século XIX, a visão fantasiosa, imaginativa dos românticos começa a saturar. Por volta de 1855, Gustave Courbet, pintor francês, usou pela primeira vez a expressão “O Realismo” para dar nome à sua exposição cujo temas eram os costumes e aspectos (“realistas”) de sua época. Nascia a “sinceridade na Arte”, o retrato da sociedade em oposição ao exagero artístico do Romantismo.
O contexto histórico-filosófico-científico contribuiu para essa virada na perspectiva. O ambiente se mostrava mais hostil, mais voltado para o mundo material: é o triunfo do capital industrial. As cidades crescem desordenadamente, vive-se o apogeu da Revolução Industrial, observa-se o avanço científico e tecnológico (eletricidade, telégrafo, locomotivas a vapor) de ciências como Física, Química e Biologia. Surgem as massas trabalhadoras exploradas nas cidades industriais (proletariado x burguesia).
Podemos ainda somar a essas transformações a publicação do manifesto comunista de Karl Marx. A luta dos operários contra a exploração, horas de serviço etc.
O estilo literário que surgiu nesse contexto – o Realismo (Real-Naturalismo) – é, de algum modo, reflexo dele. A percepção do artista é extremamente objetiva, racional e sua linguagem torna-se impessoal, precisa, simples, sem os exageros do estilo anterior. A preferência, agora, é com o presente e suas contradições: a euforia burguesa x o capitalismo desumano. Os acontecimentos exigem a participação do artista como observador desse mundo. E tudo ele analisa à luz de teorias sociológicas, psicológicas ou biológicas.
O Realismo, no dizer do escritor português Eça de Queirós, é “a anatomia do caráter. É a crítica do homem. É a arte que nos pinta a nossos próprios olhos – para condenar o que houve de mau na nossa sociedade.” O artista, nesse momento, será o grande analista da alma, da consciência do personagem.


1.   Origem

A tendência literária realista ganhou força em 1857, na França, com a publicação da obra Madame Bovary, de Gustave Flaubert. Antiburguês, Flaubert desmascara (de forma caricatural) a falsa moral burguesa. No romance, a romântica Emma Bovary, seduzida por conquistadores, trai o marido (um médico medíocre). Enganada pelos sedutores, acaba suicidando-se. Era o fim da moça educada nas ilusões de um falso romantismo.
Dez anos depois (1867), Émile Zola publica Thérese Raquim, dando início à estética naturalista na França. Revestiu-se de um caráter mais científico. Podemos dizer que o Realismo tem um aspecto mais documental e o Naturalismo é mais experimental.
Por volta de 1866, as antologias parnasianas intituladas o Parnaso Contemporâneo surgiram. Era o retorno da poesia ao mundo clássico. A arte sem vínculo com o mundo social. Veja que o Parnasianismo merece um estudo à parte, já que se desvinculou do momento presente, do compromisso com o social.
Retomando nossos estudos sobre o Real-Naturalismo, podemos ainda dizer que quando os personagens são construídos através de pormenores, de análise psicológica profunda, teremos uma posição típica da estética realista. Quando os personagens só tiverem sentido nas narrativas se expressarem o grupo a que pertencem, teremos uma posição típica da estética naturalista.

2.   Características da prosa real-naturalista

2.1 Existem alguns princípios comuns às duas estéticas, tais como:

a)   Objetividade e impessoalismo;
b)   Racionalismo;
c)   Universalismo (é o oposto de personalismo);
d)   Verossimilhança (= a renúncia ao improvável ou fantástico. A arte deve estar presa aos mecanismos da vida);
e)   Contemporaneidade;
f)    Pessimismo;
g)   A contenção emocional (nega-se o sentimento e a metafísica);
h)  Narrativas lentas;
i)    Perfeição formal (a correção e a clareza da linguagem, entendida como fruto do trabalho e não da inspiração);
j)    Materialismo.

2.2 Diferenças entre Realismo e Naturalismo

Como a estética naturalista é uma ramificação cientificista do Realismo, apresenta características próprias.
O Naturalismo está fortemente marcado pelas idéias científicas e sociológicas que varreram a Europa tais como os ideais positivistas e suas verdades científicas; a corrente determinista que viu o homem como produto do meio, do momento e da raça e a lei da seleção natural.
Agora, vejamos o que é peculiar à estética naturalista:

a)   o romance de tese;
b)   a perspectiva biológica do mundo (o homem é reduzido à condição de animal -> macho x fêmea -> o instinto se sobrepõe à razão);
c)   visão determinista (o meio e o contexto histórico tem influência);
d)   personagens patológicos (personagens doentios: bêbados, incestuosos, prostitutas, devassos etc.) – Não se preocupa com a psicologia dos personagens. Ela aparece de forma superficial;
e)   crítica social explícita (anticlericais, antimonárquicos, antiburgueses);
f)    detém-se nas camadas mais baixas da sociedade e nos aspectos mais torpes. Exibe a sexualidade.
g)   o estilo é relegado a segundo plano. A crítica vem primeiro. Exibe-se uma linguagem vulgar, coloquial ou cheia de termos científicos.

O contexto histórico, social, político, etc. levou a intelectualidade da época a buscar novas formas de expressão. Novas perspectivas sociais e literárias apareceram. Em Portugal, Antero de Quental e Teófilo Braga escreveram obras contra a postura idealizada dos românticos: VISÃO DO TEMPO e TEMPESTADES SONORAS (Teófilo Braga) e ODES MODERNAS (Antero de Quental).
Castilho, escritor romântico, criticou pesadamente as obras de Braga e Antero, chamou de falta de “bom senso e bom gosto” quanto à escolha dos temas por seus ideais revolucionários.
Em resposta, Antero de Quental escreveu um textos “Bom senso e bom gosto” e atacou o atraso dos poetas românticos, esta foi a chamada Questão Coimbra. 1865 marcava, assim, a chegada do Realismo a Portugal, a destruição das ilusões românticas.
Essa proposta de destruição da idealização dos românticos foi defendida, também, em 1870, por Eça de Queirós, escritor português autor de romances de olhares impiedosos sobre a sociedade lisboeta do seu tempo. Fez o retrato cruel de uma sociedade hipócrita, de uma igreja corrupta, de casamentos de fachada, de uma aristocracia irresponsável como na obra Os Maias (1888), sua obra-prima.

·         EÇA DE QUEIRÓS (1845-1900): A crítica aberta

Mais importante ficcionista do Realismo português.
Influenciou escritores portugueses (ao longo da primeira metade do século XX) e também escritores das literaturas brasileira e espanhola.
Exerceu advocacia em Lisboa e dirigiu um jornal político na província. Foi diplomata, cônsul e viveu alguns anos na França e na Inglaterra.
Seus primeiros trabalhos – artigos e relatos breves – foram reunidos postumamente sob o título de PROSAS BÁRBARAS.
Foi um divisor entre tradição e modernidade.
Sua obra é dividida em:

Ø  1ª fase: influência romântica determinada por uma visão social, linguagem mais solta.
Obra: O Mistério da Estrada de Sintra (1871).
Fez publicar mensalmente AS FARPAS, jornal de crítica à política, aos costumes, às letras.

Ø  2ª fase: fase de combate e ataque às instituições.
Obras: O Crime do Padre Amaro (1875), O Primo Basílio (1878), Os Maias (1888).

Ø  3ª fase: abandona, um pouco, as críticas mordazes. Tem uma visão mais otimista do mundo.
Obras: A Ilustre Casa de Ramires (1897), A Cidade e As Serras (1901).

O PRIMO BASÍLIO (1878)

Obra revolucionária e de combate social. Eça tece uma crítica violenta à vida social portuguesa. Analisa a constituição moral de uma família da média burguesia da capital. Estuda-a por meio de um caso de adultério feminino.
A origem social, educação e influências externas ganham ênfases determinantes (determinismo de Taine).
Explora o discurso indireto-livre.
“Luísa espreguiçou-se. Que seca ter de se ir vestir-se! Desejaria numa banheira de mármore cor-de-rosa em água tépida, perfumada e adormecer! Ou numa rede de seda...”

Estilo: uso de ironia, abandona a rigidez. Prosa clara, concisa.
OBRAS
v  O mistério da estrada de Sintra (1870)

v  O Crime do Padre Amaro (1875)
v  O Primo Basílio (1878)
v  O Mandarim (1880)

v  A Relíquia (1887)

v  Os Maias (1888)
v  Uma Campanha Alegre (1890-91)
v  Correspondência de Fradique Mendes (1900)
v  A Ilustre Casa de Ramires (1900)

v  A Cidade e As Serras (1901, póstumo)

v  Contos (1902, póstumo)
v  A Aia (1894)
v  Prosas Bárbaras (1903, póstumo)
v  Cartas de Inglaterra (1905, póstumo)

v  Ecos de Paris (1905, póstumo)
v  Cartas familiares e bilhetes de Paris (1907, póstumo)
v  Notas contemporâneas (1909, póstumo)

3.   Real-Naturalismo no Brasil

Em algumas produções da estética romântica, observam-se preocupações com o momento presente. Obras como Senhora, Lucíola, O Cabeleira, Memórias de Um Sargento de Milícias ou mesmo os poemas sociais de Castro Alves evidenciam manifestações contrárias ao predomínio do eu, a idealizações. Era o início de um modo diferente de ver a vida, de sentir o momento. Eram os primeiros passos para a perspectiva realista.
No Brasil, a visão positivista encontra apoio em intelectuais da época domo estudantes da Faculdade de Direito do Recife. O Positivismo, mistura de religião, filosofia e ciência ganha força significativa nessa época e passa a ser divulgado por seus defensores.

4.   Fatos importantes na segunda metade do século XIX

As ideias positivas, republicanas e abolicionistas ferviam em nosso país no último quartel do séc. XIX. O Partido Republicano fundado em 1870 fazia campanhas com o fim de substituir trabalho escravo pela mão-de-obra imigrante (italianos). A lavoura cafeeira prosperava muito e possibilitava a expansão de novas áreas de povoamento. A República... era decisão dos grandes fazendeiros, controladores das exportações de café (a classe rural exportadora) e como não tínhamos indústrias, o que não provinha de atividades agrárias era importado. Crescia, assim, nossa dívida externa (que se iniciou no primeiro Reinado). Se pensarmos na cidade, a situação era pior, faltava quase tudo.
Nesse contexto, chegam, ao Brasil, através do ideólogo da “Escola do Recife”, Tobias Barreto, as ideias estéticas, filosóficas e científicas vividas na Europa. As ideias positivistas, deterministas, evolucionistas, socialistas tiveram repercussão no nosso meio, apesar do pouco desenvolvimento do nosso país.
Nasce uma literatura voltada para aquilo que se vivia no país: o registro do homem brasileiro do fim do Império,o momento vivido e agora visto de dentro para fora.
A literatura começa a ter como ponto de origem o contexto social que daria fundamento às suas teses (romances naturalistas) ante às convicções científicas.
Aprofundando a psicologia do personagem, investigando seu mundo interior (Realismo) ou colocando como produto do meio, do momento e da raça, da animalização, da exploração do homem pelo homem (Naturalismo), o certo é que documentando ou denunciando o momento vivido, a realidade, o comportamento humano foram os alvos da nova tendência literária.


Madonna dos braços de Yoko Ono aos de Miley Cyrus: é de tirar o chapéu?

Madonna está numa fase de peculiar afetividade: ela e  Miley Cyrus estiveram juntas no acústico (da ex-Hannah Montana) na MTV. Com trajes de vaqueiras cantaram "We Can't Stop", de Cyrus, e "Don't Tell Me", de Madonna (que postou esta foto no seu Instagram):

Miley Cyrus vibrou
 O programa de uma hora  será transmitido nesta quarta e no Brasil, pela nova MTV ( 6 de fevereiro, às 22h). A mais jovem se diz influenciada pela veterana.

Yoko Ono e Madonna, no Grammy,  domingo passado: afetos contemporâneos?





terça-feira, 28 de janeiro de 2014

William SHAKESPEARE no mundo dos bloggers...


O que é poética?

É descomeço, revivermo-nos  na poesia 
(sortilégio: releitura do nosso nascimento sempre começando)

querer  ser outra coisa e vir o mistério em meio a tanta obviedade

Poemazinho à Søren Kierkegaard

amor do meu coração, secreto em meu pensamento,
tu és para mim  como divindade desconhecida (desde a primeira vez)
meu conhecimento de ti, mesmo quando te abraço fortemente, é só lembrança...

Camus e a solitude retrabalhada em particular existencialismo...

Sentencia Albert Camus,  O mito do Sísifo, uma teoria fenomenológica:  “a primeira providência do espírito é distinguir o verdadeiro do falso, mas quando o pensamento reflete sobre si mesmo, o que ele descobre é uma contradição”

Vacas foram a causa de uma explosão


 
Aconteceu ontem. Elas expeliram gás metano e causaram explosão na Alemanha!
Um perigo ao meio ambiente, alardeado por vegetarianos  há muito tempo, os bovinos  provocaram explosão, isso mesmo, num celeiro com seus arrotos e flatulências (havia mais ou menos  100 vacas no local e a energia elétrica estática provocou a explosão do gás). 
Cada animal desses emite  centenas de litros de gás metano ao dia ( uns 500; o metano é extremamente nocivo ao meio ambiente) além de  também expelirem amônia, o que polui solo e água (por acidificação).


segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

Michel Foucault em Pernambuco: Recife, Olinda...

Michel Foucault, novembro de 1976, praia do Pina, Recife. Viu recifense vendendo algodão doce; moça mostrando as nádegas; criança rolando na areia; casais beijando-se dentro d'água; mulher fritando peixe; rapaz moreno forte de short baixo, "gostoso". 

Na  Avenida Boa Viagem, viu carrinhos de raspa-raspa, contou-nos em sala de aula, na UFPE, nossa professora  Silke Weber (ela conheceu Foucault em Paris). Foi a quinta e última visita ao Brasil (O Nordeste , para ele, era o "verdadeiro Brasil"). Ele ficou hospedado no Hotel do Sol (em Boa Viagem). Foi a Igarassu (Igreja de São Cosme e Damião, Convento de Santo Antônio) e a Itamaracá. Silke o levou à Casa da Cultura, ali ele fez comparações do prédio, antigo presídio, com prisões francesas. No Alto da Sé apreciou comeu tapioca.  


Há quase 65 anos, Albert Camus esteve em Recife



“Positivamente, gosto de Recife, Florença dos Trópicos, entre suas  florestas de coqueiros, suas montanhas vermelhas, suas praias brancas”, disse ele no meio de uma terrível gripe(diário:de 21 de julho). Aqui, ele foi guiado por três franceses, e ficou hospedado no antigo Grande Hotel e bebeu nos bairros de Santo Antônio e São José. Admirou a Capela Dourada e achou a igreja do Pátio de São Pedro "escurecida pela fumaça dos torradores de café”. Ministrou conferência na Faculdade de Direito do Recife. Visitou Olinda, gostou do Convento de São Francisco. foi à praia de Boa Viagem,então cheia de florestas de coqueiros e jangadas. apreciou uma apresentação de de bumba-meu-boi(que ele chamou de “macumba-chique”, “balé grotesco”); no final  escutou: “Viva o señor Camus e os cem reis do Oriente!” (isso aconteceu  no pátio de diversões da Cerâmica de Apipucos).

domingo, 26 de janeiro de 2014

Autores da Literatura Portuguesa (parte I)


Abade de Jazente
Adelaide Batista
Afonso de Albuquerque
Afonso Duarte
Afonso Lopes Vieira
Agustina Bessa-Luís
Albano Martins
Al Berto
Alberto Augusto Miranda
Alberto Oliveira Pinto
Albino Forjaz de Sampaio
Alexandre Herculano 
Alexandre O’Neill
Alexandre Parafita Alfredo Hogan
José de Almada Negreiros
Almeida FariaAlmeida Garrett
Álvaro Feijó
Álvaro Velho
Alves RedolAmadeu Baptista
Américo Olavo
A. M. Pires Cabral
Ana Hatherly
Ângelo Rodrigues
Antero Monteiro
António Alçada Baptista
António Barbosa Bacelar
António Botto
António Cabral 
António Corrêa de Oliveira
António de Cabedo
António de Macedo
António Maria Lisboa
António de Sousa Macedo
António Feijó
António Feliciano de Castilho
António Ferreira
António Fidalgo
António Franco Alexandre
António Gedeão
António Gonçalves de Bandarra
António José da Silva (o Judeu, natural do Brasil)
 António José Queirós
António Lobo Antunes
António Manuel Venda
António Mendes Moreira
António Mota
António Nobre
António Patrício
António Ramos Rosa
António Rebordão Navarro
António Sardinha
António Serrão de Castro
António Torrado
Antunes da Silva
Aquilino Ribeiro
Armando Côrtes-Rodrigues
Armando Silva Carvalho
Armando Tavares
Armindo Magalhães
Arnaldo Gama
Augusto Abelaira
Augusto Gil
Azevedo Castelo Branco